As florestas e a água

04-11-2010 21:40

 

As florestas têm grande influência na precipitação antes de chegar ao solo, interceptando e redistribuindo a água.

No inicio do século XX existiam várias dúvidas quando se abordava a questão da influência das florestas no ciclo de água. Dizia-se que, comparativamente com outros cobertos vegetais, as florestas eram responsáveis pelo aumento de precipitação e de humidade. Desta forma numa dada área, a remoção do coberto florestal implicaria a diminuição da precipitação e consequentemente a diminuição do caudal das linhas de água.

Em meados do século, estudos realizados em florestas temperadas permitiram verificar que parte das diminuições de precipitação associadas à remoção das florestas, deviam-se essencialmente à redução de intercepção do nevoeiro que provoca o gotejo, tendo o seu efeito directo na precipitação pouca importância (verificou-se apenas diminuições de precipitação total de cerca de 5% no máximo).

No caso da Amazónia, floresta tropical de grande área, reconhece-se a sua influência significativa na humidade da atmosfera e precipitação (30%) numa larga área de zonas adjacentes. Em zonas como na Escandinávia, a influência das florestas é pouco importante, devido aos padrões de precipitação serem essencialmente geridos pelas cadeias montanhosas que interagem com as massas de ar em movimento. Mas note-se, que as florestas não deixam de ser responsáveis pela criação de microclimas húmidos.

 A importância das florestas para a precipitação deve-se sobretudo à capacidade que estas têm de a interceptar e redistribuir.

O coberto florestal intercepta muita da precipitação, e apenas uma pequena parte desta chega à superfície do solo. Da mesma forma, a maior parte do orvalho ou da geada é acumulada pelas árvores durante a noite para evaporar na manhã seguinte. O regresso da água interceptada à atmosfera depende da capacidade do coberto para a interceptar, da energia disponível (em forma de radiação solar) para a evaporar e do movimento e humidade do ar. A evapotranspiração (evaporação da água interceptada e transpiração da água dos tecidos vegetais) nas florestas é 3 a 5 vezes superior à que se verifica em cobertos rasteiros em condições climatéricas idênticas. As florestas têm maior altura, maior rugosidade aerodinâmica portanto, e quando há movimento do ar cria-se uma atmosfera turbulenta que facilita as trocas de vapor entre as árvores a atmosfera, o que implica a maior evaporação. Por outro lado, as árvores exploram água num maior volume de solo pelo que têm maior transpiração.

 

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